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Compliance na indústria da moda

Compliance na indústria da moda

Atualizado em 28 de janeiro de 22 | Artigos  por

Carolina Erreira

A indústria da moda é caracterizada pela terceirização do trabalho. Tanto grandes marcas do varejo, nacionais e internacionais, quanto pequenos empresários utilizam da mão de obra terceirizada para a confecção de peças.

E é nessa cadeia produtiva que ainda muitas empresas terceirizadas utilizam de mão de obra análoga à escravidão. Essa situação pode gerar inúmeras consequências para a terceirizadora a nível administrativo, civil e penal, causando problemas na reputação da empresa contratante.

O trabalho análogo à escravidão pode ser definido segundo o Código Penal Brasileiro, onde o artigo 149 estabelece que: “reduzir alguém à condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.”

Segundo matéria publicada no jornal Metropoles, cerca de 40,3 milhões de pessoas estão nessa situação, das quais 71% são mulheres. No mundo, 24,9 milhões de indivíduos exercem profissões forçadamente. A moda fica atrás apenas do setor de tecnologia, no ranking de exploração. A estatística foi desenvolvida em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Internacional de Migração (OIM).

O setor de vestuário e têxtil têm enfrentado grandes desafios para promover a sustentabilidade na sua cadeia produtiva, garantindo assim os direitos humanos e trabalhistas, cuidados com fornecedores, utilização de materiais que não são nocivos ao meio ambiente, etc.

Diante disso, o compliance ganha cada vez mais força nesse mercado, pois trata, justamente, sobre como uma empresa deve se relacionar com parceiros, meio ambiente e com a responsabilidade social.

Com o aumento exponencial das terceirizações na indústria da moda, o compliance torna-se essencial para a erradicação do trabalho análogo ao de escravo.

Considerando o modelo da indústria fast fashion (falaremos mais sobre esse tema), que é caracterizada pela produção constante e abundante, a função do compliance passa a ser ainda mais importante.

Continue a leitura para entender como o compliance pode agir no combate ao trabalho escravo na indústria da moda.

Compliance no combate ao trabalho análogo à escravidão

O compliance é um meio cada vez mais utilizado para demonstração de condutas legais e éticas de uma empresa. Sua função é monitorar e assegurar que todos os envolvidos estejam de acordo com as regulamentações internas e externas.

Assim, trata-se de uma gestão que respeita padrões legais, éticos, sociais e corporativos estabelecidos. Nesse contexto, o programa de integridade serve para constatar e coibir a prática do trabalho análogo à escravidão nas companhias.

Em uma empresa de moda que terceiriza sua produção, a necessidade de verificar a procedência dos produtos vendidos é de extrema relevância, com a finalidade de obter a devida visibilidade e entendimento do contexto da cadeia produtiva existente e consequentemente haver a construção da confiabilidade da companhia.

Dessa forma, o programa de compliance passa a ser uma ferramenta de prevenção, por meio da regulação privada, de forma que a empresa se comprometa a não obter mercadorias de fornecedores sem a devida auditoria do ambiente em que estas peças são produzidas.

O principal ponto do compliance na cadeia de suprimentos é o cuidado em se relacionar com outras empresas que cumpram estes parâmetros de proteção dos direitos humanos e ofereçam condições trabalhistas seguras e justas. 

Essa prática precisa ser seguida em relação aos fornecedores diretos e também aos outros prestadores de serviço contratados por eles para evitar situações de risco.

É necessário monitorar a rede de suprimentos para mitigar riscos tributários, trabalhistas e ambientais. O controle deve ser feito por meio de avaliações documentais, exigência de certificações, auditorias e visitas periódicas aos fornecedores.

Uma boa reputação

Empresas do setor de moda enfrentam grandes desafios no que diz respeito à boa reputação. Para alcançá-la e mantê-la, é necessário um acompanhamento frequente em seu modo de operar.

Por isso, empresas de todo o mundo vêm se atentando às questões que envolvem a relação com o meio ambiente, a ética no meio corporativo, bem como ao tratamento com seus colaboradores.

Crimes ambientais, às violações de direitos humanos e até mesmo ao assédio moral e sexual no ambiente corporativo vem atraindo maior atenção e sensibilidade dos consumidores, podendo tornar-se público e causar grandes implicações negativas financeiras e na credibilidade da companhia.

Assim, um programa de compliance bem aplicado visa a prevenção dos riscos de sanções e responsabilidades, a potencialização da confiança da sociedade, a fidelização dos clientes e a ampliação da capacidade para atrair investidores, contribuindo, assim, para o posicionamento positivo da empresa.

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Fast Fashion e Slow Fashion

O compliance não apenas combate o trabalho análogo à escravidão, mas também com o crescimento do ESG (práticas ambientais, sociais e de governança), é cada vez mais comum tratar temas como sustentabilidade ambiental.

E quando falamos em sustentabilidade na moda, precisamos lembrar dos conceitos de fast fashion (moda rápida) e slow fashion (moda lenta).

O fast fashion é um modelo de produção em que os produtos do setor da moda são produzidos, consumidos e descartados em um curto período de tempo. Muitas vezes isso acontece pela má qualidade das peças e pelas constantes mudanças de tendências da moda.

No fast fashion são lançadas diversas coleções e subcoleções ao longo de um ano. Em contrapartida, no movimento slow fashion são desenvolvidas apenas pequenas coleções.

O conceito de slow fashion vai desde o consumo consciente até a economia circular, onde o ciclo de vida do produto é relevante e as roupas que não atendem mais deixam de ir para o lixo e vão para outros consumidores.

O slow fashion também possui uma grande preocupação com o design, onde os produtos são produzidos com tecidos eco-friendly (menos agressivos ao meio ambiente). Além disso, possui também um sistema de produção transparente, em que o consumidor tem acesso ao processo de feitura das peças que consome.

Automatização da Due Diligence no programa de compliance

Quando falamos sobre o acompanhamento de uma empresa da sua rede de fornecimento na indústria da moda, para o combate ao trabalho escravo e garantir a sustentabilidade, automaticamente falamos sobre a realização de Due Diligence no programa de compliance.

A realização de investigações exige dados atualizados sobre a conduta de fornecedores para uma tomada de decisão estratégica, e assim, garantir a integridade da companhia e a boa reputação perante aos consumidores.

A realização de uma Due Diligence manualmente nem sempre é o melhor caminho, pois requer um árduo trabalho de acesso às diversas fontes de informação e a estruturação de relatórios.

Com uma ferramenta de automatização, é possível buscar dados em tempo real sobre pessoas e empresas em um só lugar e gerar relatórios estruturados para fácil análise.

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Conclusão

Empresas que aparecem na “lista suja” do trabalho escravo perdem a credibilidade do mercado. Apenas com uma boa reputação é possível ter a confiança tanto de investidores quanto dos consumidores.

O compliance não protege apenas a organização em si, mas a sociedade como um todo, atuando contra o desrespeito aos direitos trabalhistas e humanos.