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ESG virou dado: por que as informações de sustentabilidade estão se tornando um ativo estratégico para as empresas

Atualizado em 1 de setembro de 26 | Geral  por

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Redação upLexis

Durante muito tempo, as informações relacionadas a ESG estiveram associadas principalmente a relatórios de sustentabilidade, compromissos ambientais, indicadores sociais e iniciativas de governança. Eram informações importantes para demonstrar posicionamentos e práticas corporativas, mas muitas vezes permaneciam concentradas em áreas específicas da empresa e em documentos próprios da agenda de sustentabilidade.

Esse cenário está mudando. À medida que reguladores, investidores e mercados passam a buscar informações de sustentabilidade mais consistentes, comparáveis e relacionadas aos riscos e oportunidades do negócio, os dados ESG começam a ocupar um espaço diferente dentro das organizações. Eles deixam de ser apenas informações produzidas para um relatório específico e passam a fazer parte de uma estrutura mais ampla de informação corporativa.

Movimentos como a criação dos padrões IFRS S1 e IFRS S2 pelo International Sustainability Standards Board (ISSB) ajudam a evidenciar essa transformação. A proposta de estabelecer uma linguagem mais consistente para informações relacionadas à sustentabilidade aproxima esses dados das discussões sobre desempenho, riscos, oportunidades e geração de valor. Ao mesmo tempo, iniciativas regulatórias em diferentes mercados mostram que a qualidade e a utilidade dessas informações estão ganhando cada vez mais atenção.

Na prática, isso significa que não basta mais uma empresa possuir dados sobre emissões, cadeia de fornecedores, riscos climáticos, governança, diversidade ou outros aspectos ESG. É necessário saber de onde essas informações vieram, como foram produzidas, quem é responsável por elas, se são consistentes e se podem ser comparadas, verificadas e utilizadas em processos de decisão.

É justamente essa mudança que este artigo pretende explorar. Quando ESG vira dado, deixa de ser apenas discurso. Quando o dado se torna comparável, passa a influenciar a avaliação de risco. E quando influencia risco, passa a participar da estratégia. A questão, portanto, não é apenas quanto ESG ganhou importância, mas como as informações de sustentabilidade estão se tornando uma nova camada de informação sobre a própria empresa, e por que sua qualidade pode determinar o valor que elas têm para quem precisa tomar decisões.

Guia rápido: aqui você vai encontrar

  • Como o ESG está mudando de lugar dentro das empresas e deixando de ser tratado apenas como uma agenda de sustentabilidade
  • Como os padrões IFRS S1 e IFRS S2 ajudam a transformar informações de sustentabilidade em dados mais consistentes e comparáveis
  • Por que os dados ESG começam a funcionar como uma infraestrutura de informação para empresas, investidores, reguladores e gestores de risco
  • O que a revisão dos ESRS na União Europeia revela sobre a busca por informações de sustentabilidade mais relevantes e úteis
  • Como o Brasil está construindo sua própria trajetória de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade
  • Por que natureza e biodiversidade representam a próxima fronteira da agenda de dados ESG
  • Por que a qualidade, consistência, rastreabilidade e governança dos dados ESG serão cada vez mais importantes
  • Como informações ESG podem apoiar gestão, compliance, risco, governança, investimentos e estratégia
  • Como a upLexis pode contribuir para transformar dados em informação e inteligência para apoiar decisões empresariais
  • FAQ sobre ESG, dados de sustentabilidade, ISSB, riscos e tomada de decisão
  • Resumo geral sobre a transformação do ESG em uma camada estratégica de informação sobre as empresas

Como o ESG está mudando de lugar dentro das empresas e deixando de ser tratado apenas como uma agenda de sustentabilidade

Durante muito tempo, ESG esteve associado principalmente à agenda de sustentabilidade, à reputação corporativa e à demonstração de compromissos ambientais, sociais e de governança. As empresas passaram a medir emissões, estabelecer metas, acompanhar indicadores sociais e divulgar iniciativas relacionadas ao tema, mas essas informações nem sempre estavam integradas aos processos mais amplos de avaliação do negócio.

Essa dinâmica começa a mudar quando informações ESG passam a ser consideradas relevantes para compreender riscos, oportunidades e perspectivas financeiras. Não se trata de abandonar a dimensão de sustentabilidade, mas de ampliar a função desses dados dentro da organização. 88% dos investidores afirmam ter aumentado o uso de informações ESG na análise de empresas no último ano, segundo levantamento da EY, sinalizando que essas informações já fazem parte de processos utilizados para avaliar empresas e tomar decisões.

Informações ESG passam a participar da avaliação empresarial

Quando investidores incorporam informações ESG às suas análises, a natureza desses dados começa a mudar. Uma informação sobre emissões, por exemplo, pode deixar de ser apenas um indicador ambiental e passar a ajudar a compreender a exposição de uma empresa a determinadas mudanças regulatórias, custos operacionais ou riscos relacionados à sua atividade.

O mesmo acontece com outras dimensões. Informações sobre cadeia de fornecedores, práticas de governança, gestão de pessoas, exposição a riscos ambientais e dependência de determinados recursos podem revelar aspectos que ajudam a compreender como uma organização está posicionada diante de diferentes cenários.

Essa mudança é importante porque aproxima ESG de uma lógica já conhecida por outras áreas corporativas: coletar informações, avaliar sua relevância, identificar riscos e utilizar evidências para apoiar decisões. O dado deixa de existir apenas para demonstrar que uma iniciativa foi realizada e passa a ter potencial para responder perguntas sobre o funcionamento e as perspectivas do negócio.

Isso também ajuda a explicar por que a discussão sobre ESG está cada vez menos restrita aos profissionais de sustentabilidade. Dependendo da informação analisada, ela pode interessar ao investidor que avalia uma empresa, ao gestor que precisa tomar uma decisão, à área de risco que acompanha uma exposição ou à liderança que define uma estratégia de longo prazo.

A sustentabilidade passa a dialogar com risco e estratégia

Essa aproximação não significa que todo dado ESG tenha necessariamente impacto financeiro direto ou que possa ser transformado automaticamente em uma métrica de risco. O ponto é que determinadas informações ambientais, sociais e de governança podem ajudar a revelar dependências, vulnerabilidades, oportunidades e mudanças no ambiente em que a empresa opera.

Por isso, a pergunta começa a mudar. Em vez de olhar apenas para quais compromissos ESG a empresa assumiu, torna-se necessário entender quais informações demonstram sua exposição a riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade e como esses elementos podem afetar o negócio.

É justamente essa mudança de perspectiva que aumenta o valor estratégico dos dados. Uma informação só consegue apoiar uma decisão quando existe confiança suficiente em sua origem, em sua consistência e na forma como ela foi produzida. Quanto mais ESG se aproxima das discussões de risco e estratégia, mais importante se torna saber de onde veio o dado, como foi calculado, quem é responsável por ele e se pode ser comparado ao longo do tempo ou com outras empresas.

Nesse sentido, o movimento não é simplesmente fazer com que ESG ganhe mais espaço dentro das empresas. É fazer com que as informações produzidas pela agenda ESG passem a integrar a própria estrutura de informação corporativa. E, quando isso acontece, surge um novo desafio: criar referências que permitam transformar diferentes informações de sustentabilidade em dados mais consistentes e comparáveis.

É nesse contexto que os padrões do ISSB, especialmente o IFRS S1 e o IFRS S2, ganham importância. Eles representam um passo na direção de uma linguagem mais estruturada para informações de sustentabilidade relevantes para investidores — e ajudam a entender por que ESG está, cada vez mais, deixando de ser apenas uma agenda e passando a funcionar como informação sobre o negócio.Assim, a due diligence deixa de ser apenas uma etapa de Compliance e passa a funcionar como uma capacidade permanente de prevenção e gestão de riscos. O objetivo não é eliminar toda incerteza, mas garantir que a empresa consiga perceber quando o cenário mudou e ajustar sua resposta antes que um risco identificado se transforme em um problema maior.

Como os padrões IFRS S1 e IFRS S2 ajudam a transformar informações de sustentabilidade em dados mais consistentes e comparáveis

A mudança na forma como o ESG é utilizado também exige uma mudança na forma como suas informações são produzidas e divulgadas. Se diferentes empresas apresentam dados de sustentabilidade seguindo critérios muito distintos, fica mais difícil comparar resultados, identificar riscos e avaliar o impacto dessas informações sobre o negócio.

É nesse contexto que entram os padrões desenvolvidos pelo International Sustainability Standards Board (ISSB). A expansão de sua adoção mostra que não se trata apenas de uma iniciativa técnica, mas de um movimento internacional para criar uma base mais consistente de informações relacionadas à sustentabilidade.

IFRS S1 e S2 criam uma linguagem comum para informações de sustentabilidade

O IFRS S1 estabelece requisitos para a divulgação de informações sobre riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade que possam afetar as perspectivas de uma empresa. Já o IFRS S2 é direcionado especificamente às informações relacionadas ao clima.

A lógica é aproximar essas informações daquilo que já é esperado de outras informações corporativas relevantes: clareza, consistência e utilidade para quem precisa avaliar uma organização. Em vez de cada empresa definir isoladamente quais informações apresentar e como apresentá-las, os padrões oferecem uma estrutura comum para organizar essa divulgação.

Esse movimento ganha escala internacional. Mais de 40 jurisdições já haviam anunciado a adoção, utilização ou intenção de utilizar os padrões ISSB, segundo a IFRS Foundation. IFRS Foundation — uso dos padrões ISSB no mundo

A dimensão desse movimento ajuda a entender por que os padrões são relevantes para a transformação do ESG em dado. Quanto mais empresas passam a utilizar uma estrutura semelhante, maior tende a ser o potencial de comparação e análise das informações produzidas.

Comparabilidade aumenta o valor estratégico do dado ESG

Para uma informação ser realmente útil em uma análise, não basta que ela exista. É necessário compreender o que está sendo medido, como foi calculado e em que contexto aquele resultado deve ser interpretado.

Imagine duas empresas divulgando suas emissões de gases de efeito estufa. Se utilizarem critérios completamente diferentes, uma comparação direta pode produzir conclusões equivocadas. Com referências mais estruturadas, torna-se possível analisar os dados dentro de uma lógica comum e compreender melhor as diferenças entre organizações.

Essa possibilidade é especialmente relevante para investidores e gestores de risco, mas também para as próprias empresas. Dados mais consistentes podem facilitar o acompanhamento da evolução dos indicadores, a identificação de exposições e a integração das informações de sustentabilidade a processos de planejamento e decisão.

Por isso, o avanço do ISSB representa mais do que uma mudança na forma de produzir relatórios. Ele contribui para uma transformação mais ampla: a criação de uma linguagem para que informações de sustentabilidade possam ser tratadas como informação corporativa relevante.

E, quando diferentes informações passam a ser estruturadas dessa maneira, surge uma consequência natural: elas precisam deixar de existir apenas em relatórios isolados e começar a se conectar à infraestrutura de dados da organização.

Por que os dados ESG começam a funcionar como uma infraestrutura de informação para empresas, investidores, reguladores e gestores de risco

Quando informações ESG passam a ser utilizadas para avaliar riscos e oportunidades, elas precisam circular por diferentes áreas da organização. O dado deixa de ser apenas um indicador de sustentabilidade e passa a alimentar processos de análise, acompanhamento e decisão, conectando diferentes perspectivas sobre o negócio.

Essa mudança exige mais do que reunir indicadores. É necessário organizar informações de diferentes naturezas, estabelecer responsabilidades e garantir que os dados possam ser utilizados de maneira consistente ao longo do tempo. Os padrões do ISSB ajudam a visualizar essa lógica ao estruturar as divulgações em 4 áreas centrais: governança, estratégia, gestão de riscos e métricas e metas.

Diferentes fontes passam a compor uma mesma visão sobre a empresa

Uma organização pode ter informações sobre emissões, consumo de recursos, fornecedores, condições de trabalho, governança, riscos climáticos e outros aspectos relacionados à sustentabilidade. Isoladamente, cada indicador oferece apenas uma parte da realidade.

Quando esses dados são organizados e relacionados, porém, eles podem ajudar a construir uma visão mais ampla sobre a exposição e o desempenho da empresa. Um risco ambiental pode ter relação com determinada operação; uma característica da cadeia de fornecedores pode representar uma vulnerabilidade; uma informação de governança pode ajudar a compreender como determinado risco é administrado.

É essa conexão que aproxima ESG da lógica de uma infraestrutura de informação. O objetivo não é simplesmente acumular dados, mas permitir que diferentes informações sejam organizadas, relacionadas e utilizadas de acordo com a necessidade de cada análise.

A qualidade da informação determina sua utilidade

Quanto mais áreas dependem de uma informação, maior é a importância de saber de onde ela veio, quem é responsável por ela, como foi calculada e se permanece consistente ao longo do tempo.

Esse cuidado é especialmente relevante quando os dados ESG são utilizados por diferentes públicos. Investidores podem analisá-los para avaliar riscos e oportunidades; gestores podem utilizá-los no planejamento; áreas de risco podem incorporá-los às suas avaliações; e a governança pode acompanhar indicadores e compromissos.

Por isso, transformar ESG em infraestrutura de informação significa também criar condições para que esses dados sejam confiáveis, rastreáveis, comparáveis e acessíveis para quem precisa utilizá-los. A informação deixa de cumprir apenas uma função de divulgação e passa a participar do funcionamento da própria empresa.

E essa transformação não acontece apenas por iniciativa das organizações. Reguladores também estão definindo quais informações devem ser produzidas, como devem ser apresentadas e quais dados são considerados relevantes, acelerando a construção dessa nova arquitetura de informação.

O que a revisão dos ESRS na União Europeia revela sobre a busca por informações de sustentabilidade mais relevantes e úteis

A experiência da União Europeia mostra que a evolução da agenda ESG não significa necessariamente produzir cada vez mais informações. À medida que os requisitos de divulgação amadurecem, também cresce a preocupação em identificar quais dados são realmente relevantes para compreender os impactos, riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade.

A revisão dos European Sustainability Reporting Standards (ESRS) segue justamente essa direção. A Comissão Europeia estima que as mudanças reduzirão em mais de 60% os datapoints obrigatórios, simplificando a quantidade de informações exigidas sem abandonar a estrutura de divulgação de sustentabilidade.

Mais informação não significa necessariamente melhor informação

Um dos desafios da evolução do ESG é evitar que a busca por transparência resulte simplesmente em uma quantidade cada vez maior de indicadores. Para empresas, investidores e demais usuários dessas informações, o excesso de dados pode dificultar a identificação daquilo que realmente importa.

A revisão dos ESRS procura enfrentar esse problema ao reduzir a quantidade e a complexidade das informações exigidas, concentrando a divulgação em elementos considerados mais relevantes. A proposta reforça uma ideia importante para a transformação do ESG em dado: o valor da informação não está apenas no seu volume, mas na sua capacidade de contribuir para uma análise útil.

Essa lógica também muda a forma como as empresas precisam pensar seus próprios dados. Antes de perguntar quantos indicadores podem ser produzidos, é necessário entender quais informações são relevantes, como elas serão utilizadas e que decisões podem ser apoiadas por elas.

A qualidade do dado ganha espaço diante da quantidade

A simplificação dos ESRS também evidencia que uma estrutura de informação eficiente depende de critérios de relevância. Reduzir o número de datapoints não significa tornar o ESG menos importante, mas buscar uma divulgação mais objetiva e útil para quem precisa interpretar essas informações.

Esse movimento é particularmente relevante para empresas que precisam transformar dados dispersos em informações capazes de apoiar diferentes áreas. Um conjunto menor de dados, quando bem definido, documentado e confiável, pode ter mais utilidade do que centenas de indicadores sem critérios claros de origem, responsabilidade e interpretação.

A experiência europeia, portanto, ajuda a reforçar uma das principais premissas deste novo momento do ESG: o desafio não é apenas coletar mais dados de sustentabilidade, mas construir informações relevantes e confiáveis o suficiente para serem utilizadas na avaliação de riscos e oportunidades.

E essa discussão já chegou ao Brasil, onde reguladores e entidades responsáveis pela definição de padrões também vêm estruturando a adoção de referências internacionais para a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade.

Como o Brasil está construindo sua própria trajetória de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade

O movimento de transformação dos dados ESG também está avançando no Brasil. A partir da adoção de referências alinhadas aos padrões internacionais do ISSB, o país vem construindo uma estrutura para que informações financeiras relacionadas à sustentabilidade sejam produzidas e divulgadas de forma mais organizada.

Esse processo envolve diferentes participantes do mercado. A pesquisa realizada pela CVM sobre a implementação da Resolução CVM 193 contou com 291 respondentes, entre companhias abertas, investidores, auditores, consultorias e outros interessados, mostrando que a discussão já alcança diferentes partes do ecossistema corporativo. A pesquisa da CVM reuniu 291 participantes.

A adoção brasileira aproxima ESG das informações financeiras

A Resolução CVM 193 estabeleceu no mercado brasileiro uma referência para a elaboração e divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, baseada nos padrões emitidos pelo ISSB. Com isso, informações que antes poderiam ser tratadas principalmente dentro da agenda ESG passam a se aproximar da estrutura de informações utilizada para compreender o desempenho, os riscos e as perspectivas das empresas.

A trajetória regulatória brasileira, no entanto, não é linear. Em 2026, a CVM alterou a Resolução 193 e revogou a obrigatoriedade da divulgação que havia sido prevista para as companhias abertas. A mudança não elimina a existência dos padrões nem impede sua utilização pelas empresas, mas altera o ritmo e a forma como essa adoção acontece no mercado brasileiro.

O ponto mais importante para esta discussão é que o Brasil já construiu uma base normativa alinhada à lógica internacional de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. Isso ajuda a consolidar a ideia de que dados ESG não precisam permanecer isolados em relatórios de sustentabilidade: eles podem fazer parte de uma visão mais ampla sobre a própria empresa.

O mercado precisa aprender a produzir e utilizar esses dados

A participação de companhias abertas, investidores, auditores e especialistas na pesquisa da CVM também revela outro aspecto importante: transformar ESG em informação útil exige mudanças que vão além da publicação de um relatório.

As empresas precisam definir quais informações devem ser coletadas, quem é responsável por elas, como serão calculadas e de que maneira serão apresentadas. Investidores e demais usuários, por sua vez, precisam desenvolver capacidade para interpretar esses dados e incorporá-los às suas análises.

Essa evolução aproxima a agenda ESG de temas como governança de dados, controles internos, gestão de riscos e inteligência empresarial. Quanto mais essas informações forem utilizadas para sustentar análises e decisões, maior será a necessidade de garantir que sejam confiáveis e possam ser rastreadas até sua origem.

O Brasil, portanto, não está apenas discutindo como as empresas devem falar sobre sustentabilidade. Está construindo as condições para que informações relacionadas à sustentabilidade possam ocupar um lugar mais estruturado dentro do conjunto de dados utilizado para compreender empresas e seus riscos.

E, conforme essa arquitetura evolui, o próprio conceito de ESG também se amplia. A próxima fronteira já não está apenas nas emissões ou nos riscos climáticos: natureza e biodiversidade começam a entrar nessa equação, trazendo novas categorias de informação para dentro da análise empresarial.

Por que natureza e biodiversidade representam a próxima fronteira da agenda de dados ESG

A agenda de sustentabilidade está se ampliando para além das discussões sobre emissões e mudanças climáticas. Natureza e biodiversidade começam a ganhar espaço como fontes de informação relevantes para compreender as dependências, os impactos, os riscos e as oportunidades associados às atividades empresariais.

Esse movimento mostra que a transformação do ESG em dado ainda está em evolução. Em maio de 2026, os 12 membros do ISSB aprovaram a decisão de avançar com uma proposta de divulgações relacionadas à natureza, com previsão de publicação de um Exposure Draft para consulta pública em outubro. Os 12 membros do ISSB aprovaram o avanço da proposta.

A natureza amplia o universo de informações ESG

A discussão sobre natureza envolve uma gama de informações mais ampla do que a análise tradicional de emissões. Empresas podem depender de recursos naturais, ecossistemas e serviços ecossistêmicos para desenvolver suas atividades, ao mesmo tempo em que suas operações podem gerar impactos sobre esses mesmos sistemas.

Isso significa que informações sobre água, uso do solo, ecossistemas, recursos naturais e biodiversidade, por exemplo, podem passar a fazer parte de uma análise mais estruturada sobre os riscos e oportunidades de uma organização.

A relevância dessa evolução está justamente na conexão entre esses elementos e o negócio. Uma alteração na disponibilidade de determinado recurso natural, uma mudança no ambiente regulatório ou uma exposição significativa a impactos sobre ecossistemas pode representar um fator que precisa ser considerado na gestão de riscos e no planejamento empresarial.

Biodiversidade transforma dependências ambientais em informação estratégica

Ao avançar nessa agenda, o ISSB sinaliza que informações relacionadas à natureza não devem ser observadas apenas como indicadores ambientais. A proposta considera riscos e oportunidades relacionados à natureza que possam afetar as perspectivas das empresas, aproximando o tema novamente da lógica de informação financeira relacionada à sustentabilidade.

Essa abordagem amplia a própria compreensão sobre o que pode ser considerado um dado relevante para a empresa. Não se trata apenas de medir o impacto ambiental causado por uma operação, mas também de compreender do que a atividade depende, quais vulnerabilidades podem surgir e como essas relações podem afetar o negócio.

Para as empresas, isso representa um novo desafio de informação. Quanto mais a agenda ESG incorpora natureza e biodiversidade, maior será a necessidade de identificar dados dispersos, estabelecer critérios de medição e compreender as relações entre atividade empresarial, dependências ambientais, impactos e riscos.

A evolução de clima para natureza e biodiversidade mostra, portanto, que a agenda não está se tornando apenas mais extensa. Ela está se tornando mais conectada à forma como as empresas entendem seus próprios riscos e oportunidades. E isso aumenta ainda mais a importância de uma questão que atravessa todo esse processo: a qualidade dos dados utilizados para sustentar essas análises.

Por que a qualidade, consistência, rastreabilidade e governança dos dados ESG serão cada vez mais importantes

À medida que os dados ESG passam a ser utilizados para comparar empresas, avaliar riscos e apoiar decisões, a qualidade da informação se torna tão importante quanto a própria informação divulgada. Um indicador pode existir, mas, se não houver clareza sobre sua origem, metodologia e consistência, seu valor para uma análise pode ser limitado.

Esse desafio aparece na prática mesmo entre grandes empresas. 69% das empresas do FTSE 100 fizeram ajustes em métricas de clima e sustentabilidade referentes a anos anteriores em 2025, segundo levantamento da Deloitte. O dado evidencia que a produção de informações ESG ainda envolve processos de revisão e correção que podem afetar a consistência dos dados ao longo do tempo.

Produzir o dado não basta

Um dado ESG precisa carregar consigo informações que permitam compreender como foi produzido, qual é sua origem, qual metodologia foi utilizada e quem é responsável por sua apuração. Sem esse contexto, diferentes indicadores podem até parecer comparáveis, mas representar realidades ou critérios de medição distintos.

Essa preocupação se torna maior quando a informação circula entre diferentes áreas e públicos. Um indicador utilizado pela sustentabilidade pode posteriormente ser analisado por risco, compliance, investidores ou pela própria liderança. Quanto mais usos uma informação possui, maior é a necessidade de que ela seja confiável, consistente e rastreável.

O problema também aparece quando uma empresa precisa revisar informações já divulgadas. Ajustes podem ser necessários, mas mudanças recorrentes ou pouco transparentes dificultam a construção de séries históricas e a comparação dos resultados ao longo do tempo.

Governança transforma informação em dado confiável

A qualidade do dado ESG depende, portanto, de processos que vão além da coleta. É preciso estabelecer responsabilidades, critérios, controles e mecanismos de validação para garantir que a informação permaneça íntegra desde sua origem até sua utilização.

Esse cuidado aproxima diretamente ESG da governança de dados. Informações sobre emissões, fornecedores, pessoas, riscos ambientais ou governança precisam estar associadas a uma estrutura que permita identificar sua origem, acompanhar alterações e compreender como chegaram ao resultado divulgado.

O levantamento da Deloitte também mostra que 86% das empresas do FTSE 100 obtêm assurance sobre métricas de sustentabilidade, reforçando o movimento de submeter essas informações a mecanismos adicionais de verificação. A lógica é clara: quanto maior a relevância do dado para uma decisão, maior tende a ser a necessidade de confiar naquilo que ele representa.

No fim, transformar ESG em informação estratégica exige mais do que coletar e divulgar indicadores. É necessário construir uma cadeia de confiança — da origem do dado à sua análise — capaz de sustentar comparações, avaliações de risco e decisões empresariais.

Como informações ESG podem apoiar gestão, compliance, risco, governança, investimentos e estratégia

Quando os dados ESG passam a ser estruturados, comparáveis e confiáveis, seu valor não se limita à divulgação de informações. Eles podem alimentar diferentes processos de decisão dentro da empresa, ajudando áreas que precisam compreender riscos, acompanhar compromissos, avaliar terceiros ou definir prioridades estratégicas.

Essa utilização mais ampla já aparece entre empresas que estruturam seus processos de reporte. Mais de dois terços afirmam ter obtido valor moderado ou significativo dos dados e insights de sustentabilidade coletados durante esse processo, segundo a PwC. Mais de dois terços das empresas identificaram valor nos dados de sustentabilidade.

Dados ESG podem apoiar diferentes áreas do negócio

O levantamento mostra que a utilidade dessas informações ultrapassa a elaboração de relatórios. Entre as empresas que identificaram valor significativo nos dados de sustentabilidade, 38% utilizam essas informações em grande ou muito grande medida para orientar a estratégia empresarial, enquanto outros 38% as utilizam para gestão de riscos.

A aplicação também aparece em atividades relacionadas ao cumprimento de requisitos. 48% utilizam os dados em grande ou muito grande medida para decisões relacionadas a compliance regulatório, mostrando como informações de sustentabilidade podem contribuir para acompanhar obrigações e identificar possíveis exposições.

Essa diversidade de usos ajuda a explicar por que ESG começa a se aproximar de uma infraestrutura de informação. O mesmo conjunto de dados pode responder a necessidades diferentes: a gestão pode utilizá-lo para planejamento, risco para avaliar exposições, compliance para acompanhar requisitos e governança para monitorar responsabilidades e compromissos.

A informação ESG também pode influenciar decisões estratégicas

O uso desses dados não termina nas áreas tradicionalmente associadas a ESG. O levantamento da PwC aponta que 28% das empresas utilizam informações de sustentabilidade em grande ou muito grande medida para transformação da cadeia de suprimentos, enquanto 22% as utilizam para decisões relacionadas a finanças e investimentos corporativos.

Na prática, isso significa que uma informação sobre sustentabilidade pode ajudar a responder perguntas bastante concretas sobre o negócio: quais fornecedores apresentam maior exposição a determinados riscos? Onde existem vulnerabilidades na cadeia? Quais investimentos precisam considerar fatores ambientais ou sociais? Quais riscos podem afetar o planejamento estratégico?

O valor está justamente nessa capacidade de conectar diferentes informações a diferentes decisões. Quando o dado ESG consegue sair do relatório e chegar às áreas que efetivamente avaliam, priorizam e decidem, ele deixa de ser apenas uma informação sobre sustentabilidade e passa a funcionar como parte da inteligência corporativa.

É essa mudança que completa a trajetória apresentada ao longo do artigo: ESG → dados → qualidade da informação → risco → inteligência → decisão. A questão, a partir daqui, não é simplesmente produzir mais informações ESG, mas garantir que elas tenham qualidade e estrutura suficientes para gerar valor quando forem utilizadas.

Como a upLexis pode contribuir para transformar dados em informação e inteligência para apoiar decisões empresariais

Se ESG está se tornando uma camada de informação sobre a própria empresa, o desafio passa a ser transformar dados dispersos em informações que possam ser analisadas e utilizadas na tomada de decisão. Isso envolve não apenas coletar dados, mas organizar diferentes fontes, estabelecer relações e identificar sinais relevantes para o negócio.

É nesse ponto que tecnologia, dados e inteligência ganham espaço. Uma estrutura capaz de reunir informações e permitir análises mais amplas pode ajudar empresas a compreender riscos, acompanhar mudanças, avaliar terceiros e transformar informações em evidências para decisões mais seguras.

Na prática, dados relacionados a ESG podem ser combinados com outras informações corporativas para ampliar a visão sobre uma empresa, fornecedor ou determinado contexto. Essa abordagem permite sair de uma análise baseada em indicadores isolados e avançar para uma leitura mais integrada, na qual dados ambientais, sociais, de governança, cadastrais e de risco podem contribuir conjuntamente para a análise.

Para a upLexis, essa conexão está diretamente relacionada ao uso de dados e inteligência para apoiar processos de compliance, risco, governança e tomada de decisão. O valor não está apenas na quantidade de informações disponíveis, mas na capacidade de encontrar, organizar e interpretar aquilo que realmente importa para cada análise.

À medida que ESG passa a ocupar um espaço maior na infraestrutura de informação das empresas, essa capacidade se torna ainda mais relevante. Informação confiável precisa estar disponível no momento certo e em um formato que permita transformar dados em conhecimento acionável.

Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta para facilitar a coleta ou o reporte de informações ESG. Ela passa a fazer parte de uma etapa mais ampla: conectar dados, identificar riscos e gerar inteligência para que empresas possam tomar decisões melhores, com mais contexto e evidências.
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F.A.Q sobre ESG, dados de sustentabilidade, ISSB, riscos e tomada de decisão

O que significa dizer que ESG virou dado?

Significa que informações ambientais, sociais e de governança estão passando a ser tratadas como informações relevantes sobre a própria empresa, e não apenas como conteúdo de relatórios de sustentabilidade. Esses dados podem ser utilizados para avaliar riscos e oportunidades, comparar organizações, atender requisitos de divulgação e apoiar decisões empresariais.

Por que os dados ESG estão ganhando importância?

Porque investidores, reguladores, gestores e outras partes interessadas estão utilizando essas informações para compreender melhor riscos, oportunidades e perspectivas das empresas. Quanto maior o uso desses dados, maior também a necessidade de que sejam confiáveis, consistentes e comparáveis.

O que são os padrões IFRS S1 e IFRS S2?

São padrões de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade desenvolvidos pelo ISSB, órgão da IFRS Foundation. O IFRS S1 trata de informações sobre riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade, enquanto o IFRS S2 é direcionado especificamente às informações relacionadas ao clima.

Qual é a importância do ISSB para os dados ESG?

O ISSB contribui para estabelecer uma linguagem mais consistente para informações de sustentabilidade relevantes para investidores. Ao oferecer uma estrutura comum de divulgação, seus padrões ajudam a aumentar a possibilidade de comparação e análise entre diferentes empresas e mercados.

O ESG está se tornando parte da gestão de riscos?

Sim. Informações ESG podem ajudar a identificar exposições ambientais, sociais e de governança que tenham relação com as atividades de uma empresa. Por isso, esses dados podem complementar processos de avaliação e monitoramento de riscos.

Qual é a relação entre ESG e governança de dados?

A relação está na necessidade de garantir que as informações ESG tenham origem conhecida, critérios definidos, responsáveis identificados, consistência e rastreabilidade. Quanto mais esses dados forem utilizados para decisões, maior será a importância de processos de governança capazes de assegurar sua qualidade.

Por que a rastreabilidade dos dados ESG é importante?

Porque permite compreender de onde veio uma informação, como ela foi produzida e quais alterações sofreu ao longo do tempo. Isso facilita a validação dos indicadores, aumenta a confiança na informação e ajuda a identificar inconsistências quando elas surgem.

ESG e sustentabilidade são a mesma coisa?

Não exatamente. Sustentabilidade é um conceito mais amplo, enquanto ESG organiza aspectos ambientais, sociais e de governança que podem ser utilizados para avaliar uma organização. A transformação discutida neste artigo está relacionada principalmente ao fato de que informações ESG estão ganhando novas funções na análise de empresas, riscos e oportunidades.

Como a natureza e a biodiversidade entram na agenda ESG?

Natureza e biodiversidade representam uma ampliação do conjunto de informações que podem ser relevantes para compreender uma empresa. Questões como dependência de recursos naturais, impactos sobre ecossistemas e exposição a riscos relacionados à natureza podem passar a integrar análises mais estruturadas sobre riscos e oportunidades empresariais.

Como os dados ESG podem apoiar a tomada de decisão?

Eles podem contribuir para decisões em diferentes áreas, incluindo gestão, risco, compliance, governança, investimentos, estratégia e cadeia de fornecedores. O valor está em transformar indicadores isolados em informações que ajudem a compreender cenários, identificar exposições e definir prioridades.

O Brasil já utiliza padrões relacionados ao ISSB?

O Brasil vem construindo uma estrutura própria para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade alinhada aos padrões internacionais do ISSB, por meio de iniciativas envolvendo CVM e CBPS. A trajetória regulatória brasileira passou por mudanças recentes, mas os padrões continuam fazendo parte da evolução da arquitetura de divulgação de informações de sustentabilidade no país.

ESG vai exigir cada vez mais tecnologia?

A tendência é que a tecnologia tenha um papel maior à medida que volume, diversidade e necessidade de rastreabilidade dos dados aumentem. Ferramentas de dados e inteligência podem ajudar empresas a organizar informações, cruzar diferentes fontes, identificar riscos e transformar dados em informações úteis para decisões.

O que muda para as empresas quando ESG passa a ser tratado como dado?

Muda principalmente a forma de encarar a informação. A empresa deixa de pensar apenas em “quais informações precisamos divulgar?” e passa a considerar também “quais dados precisamos ter, como podemos garantir sua qualidade e como eles podem apoiar nossas decisões?”. Essa mudança aproxima ESG de áreas como dados, risco, compliance, governança e estratégia.

Resumo geral sobre a transformação do ESG em uma camada estratégica de informação sobre as empresas

O ESG está passando por uma mudança importante de função dentro das empresas. Informações ambientais, sociais e de governança deixam de estar restritas à agenda de sustentabilidade e passam a integrar, cada vez mais, análises de risco, avaliação empresarial, governança e tomada de decisão.

Essa transformação é acompanhada pela criação de estruturas mais consistentes para produzir e divulgar essas informações. Os padrões IFRS S1 e IFRS S2, desenvolvidos pelo ISSB, representam um movimento internacional nessa direção, enquanto a experiência da União Europeia e a trajetória regulatória brasileira mostram como diferentes mercados estão construindo suas próprias arquiteturas de divulgação.

Ao mesmo tempo, o avanço da agenda amplia o universo de informações consideradas relevantes. Clima, natureza e biodiversidade passam a fazer parte de uma discussão que envolve não apenas impactos ambientais, mas também dependências, riscos e oportunidades que podem afetar as perspectivas das empresas.

Nesse cenário, a qualidade do dado se torna um fator estratégico. Origem, consistência, rastreabilidade, governança e possibilidade de verificação passam a ser fundamentais quando uma informação ESG é utilizada para comparar empresas, avaliar exposições ou sustentar decisões.

A principal mudança, portanto, não é simplesmente que ESG ganhou importância. ESG está se tornando uma camada de informação sobre a própria empresa. E, quanto mais esses dados forem estruturados, comparáveis e conectados a outras informações corporativas, maior será seu potencial para gerar inteligência.

No fim, a próxima fase do ESG pode ser menos sobre produzir relatórios e mais sobre construir informações confiáveis o suficiente para ajudar empresas, investidores e gestores a tomar decisões melhores.