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A próxima corrida da IA não é pelos modelos: é pela infraestrutura

Atualizado em 6 de outubro de 26 | Geral  por

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Redação upLexis

Ilustração editorial de um data center integrado à infraestrutura de energia e tecnologia, com sistemas de refrigeração, redes elétricas, conectividade e áreas industriais, representando a infraestrutura necessária para a expansão da inteligência artificial.

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa tecnológica restrita aos laboratórios e passou a ocupar uma posição estratégica nas empresas, nos governos e na economia global. Modelos generativos, sistemas de automação e agentes capazes de executar tarefas estão ampliando rapidamente a demanda por capacidade computacional. Mas existe uma dimensão dessa transformação que costuma ficar em segundo plano: toda essa inteligência precisa de uma infraestrutura física para funcionar.

Cada consulta processada por um modelo, cada imagem gerada, cada agente executando uma tarefa e cada sistema corporativo incorporando IA depende de servidores, chips especializados, redes de comunicação, armazenamento e enormes estruturas de data centers. E quanto mais a tecnologia avança, maior se torna a infraestrutura necessária para sustentar sua escala.

Essa mudança altera também a natureza da competição tecnológica. Durante boa parte da última década, a corrida pela IA esteve concentrada na capacidade de desenvolver modelos, acumular dados e contratar especialistas. Agora, energia, capacidade computacional, disponibilidade de chips e localização de data centers também começam a determinar quem consegue escalar a tecnologia. O desafio deixa de ser apenas criar uma inteligência artificial mais poderosa e passa a envolver a capacidade de mantê-la funcionando de forma contínua, segura e economicamente viável.

É uma evolução que acompanha a própria trajetória da transformação digital. Quando a upLexis discutia, ainda em 2019, os caminhos que levariam da transformação digital à inteligência artificial, a tecnologia começava a avançar sobre processos e modelos de negócio por meio da utilização cada vez maior de dados, como mostra o artigo Um passo para a Inteligência Artificial. Hoje, o cenário é diferente: a IA não está apenas transformando os negócios; sua expansão começa a transformar a própria infraestrutura que sustenta a economia digital.

O movimento já pode ser observado em diferentes mercados. Governos estão criando políticas para atrair investimentos em data centers, empresas de tecnologia estão buscando contratos de energia de longo prazo e novos projetos de infraestrutura estão sendo avaliados não apenas pelo retorno econômico, mas também pelo impacto sobre redes elétricas, recursos naturais e capacidade local.

Nesse contexto, a próxima corrida da inteligência artificial pode não ser decidida somente por quem desenvolve o melhor modelo. Ela também será influenciada por quem consegue garantir energia, computação, conectividade e infraestrutura suficientes para transformar capacidade tecnológica em escala real. E essa disputa traz novas oportunidades, mas também novos riscos para empresas, governos e para a própria estratégia de transformação digital.

Guia rápido: aqui você vai encontrar

  • Como a expansão da inteligência artificial está aumentando a demanda por infraestrutura de computação
  • Por que os data centers passaram a ocupar uma posição estratégica na expansão da IA
  • Como o crescimento da IA está pressionando a demanda global por energia
  • Quais desafios ambientais surgem com a expansão da infraestrutura necessária para a IA
  • Por que chips, capacidade computacional e conectividade se tornaram elementos da competição tecnológica
  • Como países e empresas estão investindo para ampliar sua capacidade de infraestrutura para IA
  • Quais riscos podem surgir da concentração de infraestrutura tecnológica e energética
  • Como essa transformação pode afetar empresas que dependem cada vez mais de IA em suas operações
  • O que a corrida pela infraestrutura revela sobre os próximos movimentos da inteligência artificial
  • Como a upLexis pode contribuir para transformar dados e informações em inteligência para apoiar decisões empresariais
  • FAQ sobre infraestrutura de IA, data centers, energia, tecnologia e riscos empresariais
  • Resumo geral sobre os principais impactos da nova corrida pela infraestrutura de inteligência artificial

A expansão da inteligência artificial está aumentando a demanda por infraestrutura de computação

A expansão da inteligência artificial está criando uma demanda crescente por capacidade de processamento, armazenamento e transmissão de dados. Modelos mais complexos e aplicações que utilizam IA em larga escala exigem infraestrutura computacional capaz de processar volumes cada vez maiores de informações, tornando os data centers parte central dessa transformação.

Esse movimento já aparece nos dados sobre consumo de eletricidade. O consumo global de eletricidade dos data centers cresceu 17% em 2025, enquanto o consumo dos data centers focados em inteligência artificial aumentou 50% no mesmo período, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). A agência projeta ainda que o consumo total dos data centers passe de 485 TWh em 2025 para aproximadamente 950 TWh em 2030. O consumo global de eletricidade dos data centers cresceu 17% em 2025 e pode chegar a 950 TWh em 2030.

A demanda por computação está acelerando o consumo de energia

A relação entre inteligência artificial e energia está diretamente ligada à infraestrutura necessária para executar os modelos. Quanto maior a capacidade computacional exigida pelas aplicações, maior a necessidade de servidores especializados e de estruturas capazes de mantê-los operando continuamente.

A IEA aponta que a expansão dos data centers ocorre em um contexto de crescimento acelerado da demanda por serviços digitais e, especialmente, por aplicações de IA. O aumento do consumo não depende apenas da quantidade de servidores instalados, mas também da intensidade computacional das tarefas realizadas. Treinamento e inferência de modelos de IA, por exemplo, exigem recursos computacionais que ampliam a pressão sobre essa infraestrutura.

Esse cenário ajuda a explicar por que a expansão da IA começa a ultrapassar os limites do desenvolvimento de software. A capacidade de processamento passa a depender também da disponibilidade de energia e da infraestrutura necessária para entregá-la aos data centers.

Por que os data centers passaram a ocupar uma posição estratégica na expansão da IA

Os data centers deixaram de ser apenas estruturas de suporte aos serviços digitais e passaram a ocupar uma posição estratégica na expansão da inteligência artificial. É neles que se concentra parte significativa da capacidade computacional necessária para executar modelos, armazenar grandes volumes de dados e disponibilizar aplicações em escala.

A projeção da IEA evidencia a dimensão dessa transformação. Se o consumo global dos data centers praticamente dobrar até 2030, a expansão da IA terá consequências que vão além do setor de tecnologia e alcançarão energia, infraestrutura, investimentos e planejamento empresarial.

Isso também muda a forma de pensar a própria competição tecnológica. Desenvolver modelos mais avançados continua sendo fundamental, mas a capacidade de disponibilizá-los em escala dependerá de estruturas físicas capazes de sustentar sua operação. A infraestrutura passa, portanto, a ser parte da estratégia da inteligência artificial — e não apenas o ambiente onde ela funciona.

Por que os data centers passaram a ocupar uma posição estratégica na expansão da IA

A expansão da inteligência artificial está transformando os data centers em uma infraestrutura cada vez mais estratégica para a economia digital. É nessas estruturas que ficam concentrados os servidores, sistemas de armazenamento e recursos computacionais necessários para treinar modelos, processar informações e disponibilizar aplicações de IA em escala.

No Brasil, esse movimento já começa a aparecer em números concretos. A capacidade instalada de data centers deve passar de 1.063 MW em 2025 para 2.629 MW em 2030, um crescimento de aproximadamente 2,5 vezes, acompanhado de US$ 49,2 bilhões em investimentos acumulados no período, segundo levantamento da Brasscom. A capacidade brasileira de data centers deve crescer de 1.063 MW para 2.629 MW até 2030, com US$ 49,2 bilhões em investimentos.

O crescimento da infraestrutura acompanha a expansão das aplicações de IA

A necessidade de ampliar a capacidade dos data centers está diretamente relacionada ao aumento da demanda por processamento e armazenamento. À medida que empresas incorporam inteligência artificial em atendimento, análise de dados, automação, desenvolvimento de produtos e processos internos, cresce também a quantidade de recursos computacionais necessários para sustentar essas aplicações.

Nesse cenário, os data centers deixam de ser apenas uma infraestrutura técnica de apoio e passam a fazer parte da capacidade estratégica das organizações. Ter acesso a processamento, armazenamento e conectividade suficientes pode determinar a velocidade com que uma empresa consegue implementar e escalar soluções de IA.

O movimento também cria uma relação cada vez mais estreita entre tecnologia e infraestrutura. A evolução dos modelos de inteligência artificial depende de avanços em software e algoritmos, mas sua utilização em larga escala exige capacidade física para executar essas tecnologias de maneira contínua.

A infraestrutura passa a ser um ativo estratégico para a economia digital

O volume projetado de investimentos no Brasil mostra que a expansão dos data centers já representa uma transformação relevante na infraestrutura tecnológica do país. Os US$ 49,2 bilhões previstos até 2030 indicam que essa estrutura passa a ser tratada como parte importante da expansão da economia digital.

Essa transformação também amplia a dimensão estratégica dos data centers. Localização, disponibilidade de energia, conectividade, capacidade de expansão e segurança da infraestrutura passam a influenciar decisões relacionadas à implantação de serviços digitais e de inteligência artificial.

Para empresas, isso significa que a discussão sobre IA não pode ficar restrita à escolha de modelos ou ferramentas. A capacidade de sustentar tecnologicamente essas soluções também se torna parte da estratégia de transformação digital. Quanto maior a dependência de aplicações de IA, maior a importância de contar com uma infraestrutura capaz de acompanhar essa demanda com disponibilidade, escala e segurança.

A corrida pela inteligência artificial, portanto, começa a envolver uma disputa menos visível, mas fundamental: quem terá infraestrutura suficiente para transformar capacidade computacional em aplicações reais e escaláveis.

Como o crescimento da IA está pressionando a demanda global por energia

A expansão da inteligência artificial começa a produzir efeitos que ultrapassam o setor de tecnologia e chegam diretamente ao planejamento energético. Data centers precisam de eletricidade em grande escala e, à medida que novos projetos são conectados à rede, sua demanda passa a ser considerada nas projeções de consumo e na expansão da infraestrutura elétrica.

No Brasil, essa mudança já entrou no planejamento oficial. O PDE 2035, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e aprovado pelo Ministério de Minas e Energia, passou a considerar data centers, eletromobilidade e projetos de hidrogênio como “cargas especiais” nas projeções do sistema elétrico. No cenário superior, essas cargas podem representar 12,9% do consumo agregado das classes em 2035, contra 1,4% no cenário de referência. As cargas especiais podem representar até 12,9% do consumo de eletricidade do Brasil em 2035.

Como a expansão dos data centers altera o planejamento energético

A inclusão dos data centers nas projeções oficiais mostra que a infraestrutura necessária para a inteligência artificial já começa a influenciar decisões tradicionalmente associadas ao setor elétrico. A EPE registra que houve crescimento das solicitações de estudos para acesso à rede básica por projetos de data centers, justificando a inclusão dessas cargas nos diferentes cenários do PDE 2035.

No cenário superior, o consumo associado às cargas especiais chega a 131 TWh em 2035, impulsionado principalmente pela entrada de grandes projetos de data centers e de hidrogênio. No cenário inferior, esse consumo fica em 10 TWh.

A diferença entre os cenários evidencia que a expansão da infraestrutura digital pode alterar significativamente a demanda elétrica dependendo da velocidade dos investimentos. Para a IA, isso significa que capacidade computacional e disponibilidade energética passam a ser variáveis cada vez mais interdependentes.

A energia passa a ser parte da estratégia de expansão da IA

O impacto não está apenas na quantidade de eletricidade consumida, mas na capacidade de garantir energia suficiente, estável e disponível nos locais onde a infraestrutura computacional será instalada. Projetos de grande porte precisam considerar acesso à rede, capacidade de transmissão e condições para expansão futura.

O próprio PDE 2035 prevê investimentos de cerca de R$ 120 bilhões no sistema de transmissão até 2035, justamente em um cenário de transformação do setor e entrada de grandes cargas.

Esse contexto ajuda a explicar por que a corrida pela inteligência artificial não pode mais ser analisada apenas pela perspectiva dos modelos e aplicações. A disponibilidade de energia passa a fazer parte da capacidade de um país ou empresa de ampliar sua infraestrutura de IA. Quanto maior a demanda computacional, maior a necessidade de integrar tecnologia, planejamento energético e infraestrutura.

A IA, portanto, começa a criar uma nova conexão entre computação e energia. E essa relação tende a ganhar ainda mais importância à medida que empresas ampliam o uso da tecnologia e novos data centers entram em operação.

Quais desafios ambientais surgem com a expansão da infraestrutura necessária para a IA

A expansão da infraestrutura necessária para a inteligência artificial também traz uma dimensão ambiental que precisa ser considerada. Data centers demandam não apenas eletricidade, mas também sistemas de refrigeração, equipamentos, espaço físico e recursos naturais para manter a operação em larga escala.

No Brasil, um dos pontos que merece atenção é o consumo de água. A estimativa é que o consumo de água dos data centers passe de cerca de 2 bilhões de litros em 2022 para aproximadamente 30 bilhões de litros em 2029. Apesar do crescimento expressivo em termos absolutos, o estudo da Brasscom estima que a participação do setor no consumo nacional passe de 0,003% para 0,008% no período. O consumo de água dos data centers brasileiros pode passar de 2 bilhões para 30 bilhões de litros entre 2022 e 2029.

O aumento da infraestrutura amplia a demanda por recursos naturais

O crescimento da capacidade computacional aumenta a necessidade de sistemas capazes de controlar a temperatura dos equipamentos e garantir a continuidade da operação. Por isso, a expansão dos data centers precisa ser analisada também sob a perspectiva da eficiência no uso de recursos.

O dado brasileiro mostra justamente essa dualidade: o consumo absoluto de água pode crescer significativamente à medida que a infraestrutura se expande, mas sua participação relativa no consumo nacional permanece pequena. Isso ajuda a colocar o impacto ambiental em perspectiva, evitando análises que tratem a expansão da IA de forma isolada.

Ao mesmo tempo, a localização dos empreendimentos pode fazer diferença. O impacto de um novo data center não depende apenas do volume total consumido, mas também das características ambientais e da disponibilidade de recursos da região onde a infraestrutura será instalada.

A eficiência tecnológica passa a fazer parte da expansão sustentável da IA

O avanço da infraestrutura também estimula a busca por soluções capazes de reduzir o uso de recursos. O estudo da Brasscom cita tecnologias como resfriamento em circuito fechado, Direct-to-Chip e sistemas de imersão entre as alternativas que podem contribuir para maior eficiência no resfriamento dos equipamentos.

Essa discussão mostra que sustentabilidade e expansão tecnológica não precisam ser tratadas como objetivos necessariamente opostos. A questão passa a ser como ampliar a capacidade computacional sem aumentar os impactos ambientais na mesma proporção.

Para empresas e governos, isso significa incorporar critérios ambientais às decisões sobre infraestrutura de IA, considerando não apenas capacidade e custo, mas também eficiência energética, consumo de água, localização e tecnologias de resfriamento.

A corrida pela infraestrutura de inteligência artificial, portanto, também será uma corrida por eficiência. Quanto maior a capacidade computacional necessária para sustentar a IA, maior será a importância de desenvolver estruturas capazes de entregar esse processamento utilizando os recursos disponíveis de maneira mais eficiente.

Por que chips, capacidade computacional e conectividade se tornaram elementos da competição tecnológica

A corrida pela infraestrutura da inteligência artificial não envolve apenas a construção de data centers. Para que esses ambientes funcionem, também são necessários semicondutores, capacidade de processamento e redes capazes de transportar grandes volumes de dados. Esses elementos formam uma cadeia tecnológica interdependente e ajudam a determinar a capacidade de um país ou empresa de desenvolver e escalar aplicações de IA.

A dimensão econômica dessa cadeia ajuda a explicar sua importância estratégica. Segundo dados apresentados pela Finep, o mercado global de semicondutores movimentou US$ 791,7 bilhões em 2025, enquanto a indústria brasileira deve alcançar US$ 2,5 bilhões de faturamento em 2026. Ao mesmo tempo, as importações brasileiras de semicondutores chegaram a aproximadamente US$ 6 bilhões em 2025. O mercado global de semicondutores movimentou US$ 791,7 bilhões em 2025, enquanto as importações brasileiras chegaram a cerca de US$ 6 bilhões.

A disponibilidade de chips influencia a capacidade de expansão da IA

Os semicondutores são componentes fundamentais para os equipamentos utilizados na infraestrutura de inteligência artificial. Processadores e aceleradores especializados são responsáveis por executar operações necessárias ao treinamento e à utilização de modelos, enquanto servidores e outros equipamentos dependem desses componentes para ampliar sua capacidade computacional.

Por isso, a disponibilidade de chips passou a fazer parte da própria estratégia de expansão da IA. Não basta existir demanda por capacidade computacional: é necessário haver acesso aos componentes que permitem construir essa capacidade.

No caso brasileiro, a diferença entre o tamanho do mercado global e a dimensão da indústria nacional também evidencia um desafio estratégico. A dependência de importações significa que mudanças na oferta internacional de semicondutores, nos preços ou nas cadeias globais de fornecimento podem produzir impactos sobre a capacidade de expansão da infraestrutura tecnológica.

Conectividade e capacidade computacional formam uma infraestrutura integrada

A infraestrutura necessária para a IA também depende da capacidade de conectar servidores, data centers, usuários e sistemas. Quanto mais aplicações passam a utilizar grandes volumes de dados e processamento remoto, maior é a importância de redes de comunicação capazes de oferecer velocidade, disponibilidade e baixa latência.

Isso significa que chips, computação e conectividade não devem ser analisados como elementos isolados. Um data center pode ter grande capacidade instalada, mas sua utilização em escala depende tanto dos equipamentos que executam os processos quanto das redes que permitem transportar os dados entre diferentes pontos da infraestrutura.

A competição tecnológica passa, assim, a envolver uma cadeia muito mais ampla. Quem controla ou possui acesso estratégico a semicondutores, capacidade computacional e conectividade amplia sua capacidade de participar da próxima etapa da economia baseada em inteligência artificial.

Para empresas, essa realidade também representa uma questão de risco. Quanto maior a dependência de infraestrutura tecnológica concentrada em determinados fornecedores, regiões ou cadeias internacionais, maior a necessidade de avaliar continuidade operacional, dependência tecnológica e resiliência da cadeia de fornecimento.

A corrida pela IA, portanto, não acontece apenas dentro dos modelos. Ela também acontece nos componentes e nas redes que permitem que esses modelos existam, sejam executados e alcancem escala.

Como países e empresas estão investindo para ampliar sua capacidade de infraestrutura para IA

A expansão da inteligência artificial está fazendo com que governos, instituições financeiras e empresas tratem a infraestrutura tecnológica como uma frente estratégica de investimento. A construção de capacidade computacional, o desenvolvimento de hardware e a ampliação da infraestrutura necessária para executar aplicações de IA passaram a exigir recursos cada vez maiores.

No Brasil, esse movimento já pode ser medido pelos recursos direcionados ao setor. Desde 2023, o BNDES aprovou R$ 4,7 bilhões em crédito e equity para projetos relacionados à inteligência artificial. Desse total, R$ 3 bilhões foram destinados a projetos intensivos em IA, incluindo R$ 552 milhões para hardware e R$ 474 milhões para infraestrutura. O BNDES já aprovou R$ 4,7 bilhões em crédito e equity para inteligência artificial desde 2023.

O investimento em IA começa a alcançar a infraestrutura física

A distribuição dos recursos mostra que o investimento em inteligência artificial não está concentrado apenas no desenvolvimento de softwares ou modelos. Hardware e infraestrutura já aparecem como categorias relevantes dentro dos financiamentos, refletindo a necessidade de construir a base física capaz de sustentar a expansão da tecnologia.

Os R$ 552 milhões destinados a hardware ajudam a evidenciar a importância dos componentes necessários para ampliar a capacidade computacional. Já os R$ 474 milhões direcionados à infraestrutura mostram que a expansão da IA também depende de ambientes e estruturas capazes de suportar sua operação.

Essa mudança amplia o horizonte dos investimentos em tecnologia. À medida que a IA passa a ocupar mais espaço nas operações empresariais e nos serviços digitais, torna-se necessário investir não apenas na aplicação final, mas também nos recursos que permitem que ela funcione em escala.

A capacidade de infraestrutura passa a influenciar a estratégia tecnológica

O volume de recursos direcionados pelo BNDES também mostra que a infraestrutura começa a ser tratada como parte da estratégia de desenvolvimento da inteligência artificial no país. A capacidade de produzir hardware, ampliar infraestrutura e financiar projetos intensivos em computação pode influenciar a posição de empresas e países na nova economia digital.

Para as organizações, isso significa que a adoção de IA precisa considerar também a infraestrutura que sustentará seu crescimento. Dependência de fornecedores, disponibilidade de processamento, capacidade de armazenamento e acesso a serviços de nuvem podem se tornar fatores relevantes para a continuidade e a expansão das aplicações.

A competição tecnológica, portanto, não se limita mais à capacidade de desenvolver soluções de inteligência artificial. Ela envolve também a capacidade de financiar, construir e acessar a infraestrutura necessária para colocá-las em funcionamento.

Nesse cenário, os investimentos em infraestrutura deixam de ser apenas uma consequência do avanço da IA e passam a funcionar como um dos elementos que determinam a velocidade e a escala desse avanço.

Quais riscos podem surgir da concentração de infraestrutura tecnológica e energética

A expansão da infraestrutura necessária para a inteligência artificial não elimina um desafio importante: onde essa capacidade está sendo instalada. Quando data centers, redes de conectividade e estruturas de energia se concentram em determinadas regiões, empresas e serviços que dependem delas também podem ficar mais expostos a problemas locais de disponibilidade, conectividade, energia ou infraestrutura.

No Brasil, esse movimento ocorre em ritmo acelerado. Entre 2013 e 2023, o mercado brasileiro de data centers cresceu 628%, e o país já responde por 40% do crescimento de data centers na América Latina, segundo o Estudo Estratégico de Infraestrutura da Estratégia Brasil 2050, do Ministério do Planejamento e Orçamento. O documento também destaca a concentração de grande parte dessa infraestrutura no estado de São Paulo. O mercado brasileiro de data centers cresceu 628% entre 2013 e 2023 e responde por 40% do crescimento latino-americano.

A concentração regional pode ampliar a exposição a interrupções

A concentração da infraestrutura tecnológica em determinadas regiões cria uma dependência de outros elementos que também precisam funcionar de maneira coordenada. Energia, telecomunicações, redes de transmissão e conectividade passam a formar uma cadeia da qual dependem os serviços digitais e as aplicações de inteligência artificial.

Isso significa que uma interrupção localizada pode ter efeitos que ultrapassam o próprio data center. Quanto maior a concentração de estruturas críticas em uma mesma região, maior pode ser a exposição conjunta a eventos que afetem aquela infraestrutura.

Para empresas que utilizam IA em processos relevantes, essa questão ganha importância. A disponibilidade da tecnologia passa a depender não apenas do fornecedor da aplicação, mas também da infraestrutura física que sustenta o serviço. Por isso, continuidade operacional e redundância precisam entrar na avaliação de dependências tecnológicas.

A expansão da IA aumenta a importância da diversificação da infraestrutura

O crescimento de 628% do mercado brasileiro de data centers em uma década mostra a velocidade com que essa infraestrutura vem sendo ampliada. Ao mesmo tempo, a concentração regional indica que crescimento de capacidade e distribuição geográfica não necessariamente acontecem no mesmo ritmo.

Essa combinação cria uma questão estratégica: quanto mais empresas dependem de infraestrutura concentrada, maior se torna a importância de mecanismos de redundância, distribuição e recuperação diante de falhas.

Para organizações que incorporam inteligência artificial a atividades críticas, isso significa avaliar onde seus dados e aplicações estão hospedados, quais fornecedores sustentam esses serviços, quais alternativas existem em caso de indisponibilidade e quanto tempo uma interrupção poderia afetar a operação.

A infraestrutura, portanto, passa a fazer parte da própria gestão de riscos tecnológicos. A corrida para ampliar a capacidade de IA precisa ser acompanhada por uma estratégia capaz de garantir que essa capacidade permaneça disponível quando for mais necessária.

Como essa transformação pode afetar empresas que dependem cada vez mais de IA em suas operações

A expansão da inteligência artificial nas empresas muda também a relação entre tecnologia e continuidade operacional. À medida que sistemas de IA passam a participar de atividades como atendimento, análise de informações, automação e tomada de decisão, a infraestrutura que sustenta essas aplicações deixa de ser apenas um elemento técnico e passa a fazer parte da operação do negócio.

No Brasil, essa dependência está crescendo rapidamente. A proporção de empresas que utilizam inteligência artificial passou de 13% em 2024 para 17% em 2025, segundo a pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br. Entre as grandes empresas, a adoção chegou a 50%, ante 38% no ano anterior. A pesquisa estima ainda que 93.475 empresas brasileiras utilizaram algum tipo de IA em 2025. O uso de inteligência artificial por empresas brasileiras passou de 13% para 17% entre 2024 e 2025.

A adoção de IA aumenta a dependência de infraestrutura tecnológica

O crescimento da adoção empresarial significa que um número cada vez maior de operações passa a depender de sistemas computacionais capazes de processar dados e executar aplicações de inteligência artificial. Essa dependência pode envolver infraestrutura própria, serviços de nuvem, plataformas de terceiros, conectividade e fornecedores especializados.

Quanto mais relevante for a IA para uma atividade, maior tende a ser o impacto de uma eventual indisponibilidade. Uma falha na infraestrutura pode interromper processos automatizados, limitar o acesso a sistemas ou comprometer operações que passaram a depender de processamento em tempo real.

Por isso, a adoção de IA precisa ser acompanhada por uma avaliação da infraestrutura que sustenta cada aplicação. A pergunta deixa de ser apenas qual solução de IA a empresa utiliza e passa a incluir onde ela é processada, de quais fornecedores depende e quais alternativas existem em caso de interrupção.

A continuidade da IA passa a fazer parte da gestão de riscos empresariais

A expansão da IA também aproxima infraestrutura tecnológica e gestão de riscos. Empresas que incorporam essas ferramentas a processos relevantes precisam considerar disponibilidade, redundância, dependência de fornecedores, segurança e capacidade de recuperação.

Essa análise se torna ainda mais importante à medida que a tecnologia deixa de ser utilizada apenas em experimentos e passa a integrar atividades essenciais. Quando uma aplicação de IA se torna parte do processo operacional, a infraestrutura que permite seu funcionamento também passa a ser um componente da continuidade do negócio.

Isso não significa evitar a adoção da tecnologia. Pelo contrário: significa compreender suas dependências antes de incorporá-la a processos críticos. Mapear fornecedores, identificar pontos únicos de falha, estabelecer alternativas e avaliar planos de contingência são medidas que ajudam a reduzir a exposição.

A corrida pela infraestrutura de IA, portanto, também chega à gestão empresarial. Quanto maior a dependência das organizações em relação à inteligência artificial, maior a necessidade de tratar a infraestrutura que a sustenta como parte da estratégia, da governança e da gestão de riscos.

Como a corrida pela infraestrutura revela os próximos movimentos da inteligência artificial

A expansão da infraestrutura mostra que a próxima etapa da inteligência artificial será marcada não apenas pela evolução dos modelos, mas pela capacidade de construir e sustentar a base necessária para utilizá-los em escala. Computação, energia, chips, conectividade e data centers passam a fazer parte de uma mesma equação estratégica.

No Brasil, essa visão já aparece no planejamento público. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028 e estabelece, entre seus objetivos, o desenvolvimento de infraestrutura tecnológica de alta capacidade, incluindo a criação de um dos cinco supercomputadores mais potentes do mundo, alimentado por energias renováveis. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028.

A infraestrutura passa a definir a capacidade de escalar a inteligência artificial

O movimento observado ao longo dos últimos anos indica uma mudança importante na própria lógica da corrida tecnológica. Desenvolver modelos mais avançados continua sendo essencial, mas a vantagem competitiva dependerá cada vez mais da capacidade de disponibilizar esses modelos para um número maior de usuários e aplicações.

Isso exige infraestrutura compatível com a escala pretendida. Quanto maior a demanda por processamento, maior a necessidade de energia, chips, armazenamento, conectividade e capacidade computacional. A infraestrutura deixa, assim, de ser apenas uma condição técnica para se tornar um fator que pode limitar ou acelerar a expansão da IA.

O investimento previsto pelo PBIA reforça essa mudança de perspectiva. Ao incluir supercomputação e infraestrutura de alta capacidade entre suas prioridades, o plano reconhece que a capacidade tecnológica de um país também depende da infraestrutura física que sustenta seus sistemas de inteligência artificial.

A próxima fase da IA será marcada por escala, eficiência e capacidade estratégica

A corrida pela infraestrutura também aponta para uma segunda transformação: a competição não será apenas por capacidade, mas por capacidade eficiente, disponível e sustentável. Energia, recursos naturais, localização dos data centers, disponibilidade de semicondutores e conectividade passam a influenciar tanto os custos quanto a possibilidade de expansão.

Para empresas, essa mudança significa que decisões sobre inteligência artificial precisarão considerar um horizonte mais amplo. A escolha de uma ferramenta ou modelo é apenas uma parte da equação. Dependências tecnológicas, fornecedores, infraestrutura de nuvem, disponibilidade computacional e continuidade operacional também passam a integrar a estratégia de IA.

Para governos, o desafio é ainda maior: criar condições para que a infraestrutura acompanhe a demanda sem gerar gargalos de energia, conectividade, recursos naturais ou capacidade computacional. Para as empresas, significa entender que a infraestrutura que sustenta a IA pode se tornar tão estratégica quanto a própria tecnologia.

A próxima corrida da inteligência artificial, portanto, não será decidida somente por quem desenvolve o modelo mais sofisticado. Ela também será definida por quem conseguir construir a infraestrutura necessária para transformar inteligência artificial em capacidade real, escalável e sustentável.

Como a upLexis pode contribuir para transformar dados e informações em inteligência para apoiar decisões empresariais

A infraestrutura pode sustentar a inteligência artificial, mas é o dado que dá sentido ao processamento. Em um cenário no qual empresas passam a depender cada vez mais de IA para analisar informações, identificar padrões e apoiar decisões, a qualidade, a organização e a inteligência extraída dos dados se tornam tão importantes quanto a capacidade computacional disponível.

É nesse ponto que a atuação da upLexis se conecta a essa transformação. Ao reunir tecnologia, dados e inteligência para apoiar processos empresariais, a empresa atua justamente em uma das camadas que ganham relevância com a expansão da IA: transformar grandes volumes de informação em conhecimento utilizável para decisões mais rápidas e fundamentadas.

A discussão sobre infraestrutura também reforça uma questão importante para as empresas: não basta ter acesso à tecnologia. É preciso saber quais dados utilizar, como interpretá-los e como transformar informação em inteligência para reduzir incertezas e apoiar decisões.

Com soluções voltadas à pesquisa, análise e inteligência de dados, a upLexis contribui para que essa capacidade seja incorporada aos processos empresariais de forma mais estruturada. Em uma economia cada vez mais dependente de dados e inteligência artificial, infraestrutura permite escalar a tecnologia; inteligência permite transformar essa capacidade em valor para o negócio.
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FAQ sobre infraestrutura de IA, data centers, energia, tecnologia e riscos empresariais

O que é infraestrutura de inteligência artificial?

Infraestrutura de inteligência artificial é o conjunto de recursos físicos e tecnológicos necessários para desenvolver, treinar, executar e disponibilizar sistemas de IA. Isso inclui data centers, servidores, chips especializados, armazenamento, redes de conectividade, computação em nuvem e energia elétrica.

Por que a infraestrutura se tornou tão importante para a inteligência artificial?

Porque a evolução da IA aumentou significativamente a demanda por capacidade computacional. Modelos mais complexos e aplicações utilizadas em larga escala exigem mais processamento, armazenamento, conectividade e energia. Por isso, a capacidade de desenvolver IA passou a depender também da capacidade de sustentar fisicamente sua operação.

Qual é a relação entre inteligência artificial e data centers?

Os data centers concentram grande parte da infraestrutura necessária para executar sistemas de IA. Eles abrigam servidores, equipamentos de armazenamento e componentes de rede que permitem processar e transmitir grandes volumes de dados. Quanto maior a utilização de IA, maior tende a ser a necessidade de capacidade computacional instalada.

Por que os data centers consomem tanta energia?

Os equipamentos utilizados para processamento e armazenamento de dados funcionam continuamente e precisam de sistemas de refrigeração para manter condições adequadas de operação. Aplicações de IA podem aumentar essa demanda porque determinadas tarefas exigem elevada capacidade computacional.

A inteligência artificial pode aumentar a demanda por energia no Brasil?

Sim. A expansão dos data centers e de outras cargas computacionais já passou a ser considerada nas projeções oficiais de demanda de eletricidade no Brasil. A EPE incluiu essas estruturas entre as chamadas cargas especiais em seus cenários de planejamento energético.

A infraestrutura de IA também gera impactos ambientais?

Sim. Além do consumo de energia, data centers podem demandar água para sistemas de refrigeração, além de equipamentos, espaço físico e outros recursos. Por isso, a expansão da infraestrutura de IA envolve desafios relacionados à eficiência energética, consumo de água, localização e sustentabilidade.

Qual é a importância dos chips para a inteligência artificial?

Chips especializados são fundamentais para executar as operações computacionais exigidas por sistemas de IA. Processadores e aceleradores permitem realizar grandes volumes de cálculos necessários tanto para o treinamento quanto para a execução de modelos. Por isso, a disponibilidade de semicondutores influencia diretamente a capacidade de expansão da infraestrutura de IA.

Por que os semicondutores são estratégicos para a corrida da inteligência artificial?

Porque eles estão na base dos equipamentos que fornecem capacidade computacional. Uma cadeia de semicondutores limitada ou concentrada pode criar dependências e gargalos para empresas e países que precisam ampliar sua infraestrutura tecnológica. A disputa pela IA, portanto, também envolve produção, acesso e fornecimento de chips.

A conectividade também faz parte da infraestrutura de IA?

Sim. Sistemas de IA dependem de redes capazes de transportar dados entre usuários, aplicações, servidores, data centers e serviços de nuvem. Capacidade, disponibilidade e qualidade da conectividade são importantes para que aplicações de IA funcionem de maneira adequada, especialmente quando exigem processamento e respostas em tempo real.

O Brasil está investindo em infraestrutura para inteligência artificial?

Sim. O país possui iniciativas públicas voltadas ao desenvolvimento de capacidade computacional, hardware e infraestrutura de IA. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028 e inclui entre seus objetivos a ampliação da infraestrutura tecnológica nacional.

Quais riscos surgem quando a infraestrutura tecnológica fica concentrada em poucas regiões?

A concentração pode aumentar a exposição a problemas de energia, conectividade, disponibilidade, fornecedores e continuidade operacional. Quando diferentes serviços dependem de uma mesma região ou de uma infraestrutura limitada, uma interrupção localizada pode produzir efeitos sobre diversas operações simultaneamente.

Como a concentração de infraestrutura pode afetar as empresas?

Empresas que dependem de IA precisam considerar não apenas a aplicação utilizada, mas também a infraestrutura que permite seu funcionamento. Uma indisponibilidade de data center, serviço de nuvem, conexão ou fornecedor crítico pode afetar processos que passaram a depender da tecnologia.

O crescimento da IA aumenta os riscos de continuidade operacional?

Pode aumentar, especialmente quando a inteligência artificial passa a ser utilizada em processos críticos. Quanto maior a dependência de uma aplicação de IA, maior a importância de avaliar redundância, disponibilidade, fornecedores, recuperação de desastres e alternativas operacionais.

Como as empresas podem reduzir os riscos associados à infraestrutura de IA?

O primeiro passo é mapear as dependências tecnológicas. A empresa pode avaliar onde os dados e aplicações estão hospedados, quais fornecedores são críticos, quais recursos de infraestrutura são necessários e quais alternativas existem em caso de indisponibilidade. Planos de contingência, redundância e gestão de fornecedores também podem reduzir a exposição.

A infraestrutura pode se tornar um diferencial competitivo em inteligência artificial?

Sim. Empresas e países com acesso a maior capacidade computacional, energia, conectividade, chips e data centers podem ter melhores condições para desenvolver e escalar aplicações de IA. Dessa forma, infraestrutura deixa de ser apenas suporte tecnológico e passa a fazer parte da estratégia competitiva.

Qual será o principal desafio da próxima fase da inteligência artificial?

Um dos principais desafios será transformar o avanço dos modelos em capacidade de utilização em escala. Isso envolve ampliar computação, energia, conectividade e disponibilidade de chips sem aumentar os custos e impactos ambientais na mesma proporção.

A corrida pela infraestrutura significa que os modelos de IA perderão importância?

Não. Modelos, algoritmos e aplicações continuarão sendo fundamentais. A mudança é que eles passam a ser apenas uma parte de uma cadeia maior. A capacidade de desenvolver um modelo sofisticado precisa ser acompanhada pela infraestrutura necessária para treiná-lo, executá-lo e disponibilizá-lo para usuários e empresas.

Por que as empresas devem acompanhar a evolução da infraestrutura de IA?

Porque decisões de infraestrutura podem afetar custos, disponibilidade, segurança, escalabilidade e continuidade dos serviços de IA. Acompanhar essa evolução ajuda as organizações a entender dependências futuras e a tomar decisões mais conscientes sobre tecnologia, fornecedores e investimentos.

O que a expansão da infraestrutura de IA significa para a gestão de riscos?

Significa que a gestão de riscos precisa considerar novas dependências relacionadas a computação, energia, conectividade, data centers, semicondutores, nuvem e fornecedores tecnológicos. A infraestrutura passa a integrar a análise de continuidade, resiliência e dependência tecnológica das organizações.

Qual é o papel dos dados nesse novo cenário de infraestrutura de IA?

A infraestrutura fornece a capacidade de processamento, mas os dados são o insumo que permite transformar essa capacidade em inteligência. Por isso, qualidade, disponibilidade, organização e confiabilidade dos dados continuam sendo elementos fundamentais para que investimentos em IA gerem valor para as empresas.

Resumo geral sobre os principais impactos da nova corrida pela infraestrutura de inteligência artificial

A corrida pela inteligência artificial está entrando em uma nova fase. A disputa não acontece mais apenas entre modelos, algoritmos e aplicações, mas também pela infraestrutura capaz de sustentar essa tecnologia em escala. Data centers, energia, semicondutores, conectividade e capacidade computacional passaram a ocupar uma posição estratégica nessa transformação.

Os números mostram a dimensão dessa mudança. O consumo global de eletricidade dos data centers está crescendo rapidamente, enquanto, no Brasil, investimentos bilionários já estão sendo direcionados à expansão de data centers, hardware e infraestrutura de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o planejamento energético nacional passou a considerar o impacto de grandes cargas associadas a essa nova economia digital.

Essa expansão também traz desafios. Energia, água, concentração geográfica, dependência de fornecedores, disponibilidade de chips e continuidade operacional passam a fazer parte da discussão sobre IA. Para empresas, isso significa que adotar inteligência artificial exige olhar além da ferramenta escolhida e compreender toda a infraestrutura necessária para mantê-la funcionando.

A tendência é que a próxima etapa da inteligência artificial seja marcada por escala, eficiência e capacidade estratégica. Países e empresas que conseguirem combinar infraestrutura, energia, conectividade, computação e dados terão melhores condições para transformar o potencial da IA em aplicações reais e sustentáveis.

Nesse cenário, a infraestrutura deixa de ser apenas o suporte invisível da inteligência artificial. Ela passa a ser um dos fatores que determinam quem consegue desenvolver, escalar e utilizar a tecnologia de forma competitiva.