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Capitalismo de stakeholders: o que significa es...

Capitalismo de stakeholders: o que significa esse conceito?

Atualizado em 11 de janeiro de 22 | Artigos  por

Rômullo Martins

Mudanças climáticas, problemas ambientais, escassez dos recursos naturais e diversas outras questões, intensificaram ainda mais as discussões sobre o futuro da humanidade, entre elas, qual o papel das empresas no desenvolvimento da sociedade. Nesse sentido, o capitalismo de stakeholders vem ganhando força.

Neste artigo, explicaremos melhor este conceito e como ele pode impactar as empresas.

Lucro é importante, mas é preciso pensar em outras questões

Durante muito tempo, a lucratividade foi sinônimo de sucesso para as organizações. De fato, esse é um bom indicador em relação à saúde financeira do negócio. Mas, muitas vezes, para alcançar esse objetivo, outras questões acabavam ficando em segundo plano ou sendo menos trabalhadas do que deveriam. 

Isso funcionou por um longo período, no entanto, devido às mudanças que foram acontecendo no mundo, as empresas se encontram em um momento em que precisavam alinhar seus objetivos estratégicos aos objetivos da sociedade.

Esse alinhamento incluiria atender não apenas aos interesses dos acionistas, mas de todos que são impactados direta ou indiretamente pela empresa, como colaboradores, fornecedores, parceiros, clientes e a sociedade como um todo.

É com essa mudança de pensamento que o capitalismo de stakeholders começou a ganhar mais notoriedade.

Novos hábitos de consumo e cobrança por práticas sustentáveis

Você deve ter percebido que nos últimos anos temas como sustentabilidade, inclusão social e governança corporativa têm sido cada vez mais cobrados e discutidos pelas organizações. Esses são ótimos exemplos de questões que eram menos trabalhadas no antigo conceito de capitalismo, onde a prioridade era apenas o lucro.

Embora não sejam assuntos novos, é perceptível que a sociedade está mudando seus hábitos de consumo e passando a optar por produtos mais sustentáveis e que vão de encontro aos seus princípios.

Essa mudança, é claro, reflete diretamente nas marcas e produtos que elas consomem, o que por sua vez afetam as empresas. Uma matéria que saiu no G1 demonstra bem essa situação. Segundo a publicação, 87% dos brasileiros preferem empresas com práticas sustentáveis. 

De acordo com artigo publicado pela Você S/A, uma pesquisa realizada pela Deloitte com pessoas do Canadá, Estados Unidos e Reino Unido, revelou que elas compram mais de empresas que se envolvem com questões sociais e que a diversidade e a inclusão influenciam suas decisões de compra, que são pautadas por seus valores pessoais. 

Ou seja, aquelas organizações que ainda não perceberam esse novo consumidor, provavelmente ficarão para trás e perderão espaço no mercado.

O capitalismo de stakeholders se trata justamente de pensar além dos ganhos, colocando como prioridade todos que são impactados pelo negócio.

Pressão dos investidores

Além da cobrança da sociedade por mudanças no planejamento estratégico das empresas, os investidores exigem ações com foco em ESG.

Com base na pesquisa realizada pela PwC com 360 investidores ao redor do mundo, as organizações que não estiverem engajadas com estes temas terão recursos retirados, conforme relata a Digital Money Informe. 

Ainda, segundo a pesquisa Global Climate Change and Sustainability, realizada pela Ernst Young, fatores ambientais, sociais e de governança ou não financeiros tornaram-se parte integrante do processo de tomada de decisão de investimento.

Em resumo, para as organizações que almejam receber algum tipo de aporte financeiro, investir no capitalismo de stakeholders é crucial.

Os pilares do capitalismo de stakeholders

É evidente que construir um modelo de negócio focado neste novo conceito não é algo simples. Para ajudar as empresas, o documento Measuring Stakeholder Capitalism, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, sugere 55 métricas que devem ser observadas, dividas em quatro pilares:

  • Governança: critérios para avaliar a ética empresarial, combate à corrupção, gerenciamento de riscos e os princípios de transparência;

  • Planeta: análise dos impactos para o meio ambiente e consumo de recursos naturais, fatores como políticas de gestão de resíduos, fontes energéticas, desmatamento, entre outros;

  • Pessoas: se refere à forma como a organização cuida de seus colaboradores, abordando temas como diversidade, combate às desigualdades e qualidade de vida;

  • Prosperidade: avaliação do impacto ao bem-estar social, com indicadores voltados ao aumento no número de colaboradores, investimento em tecnologia e capacidade produtiva.

Conclusão

As empresas têm um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade, por essa razão, ações sustentáveis e boas práticas serão cada vez mais exigidas. 

Aquelas que não demonstrarem que estão de fato engajadas com estes temas, correrão o risco de ficarem para trás.