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Big Data aliado ao compliance no sistema jurídico

09 SET 2019
09 SET. 2019 / por Isadora Soliani

O volume de dados e a automação desse controle facilitam muito, é verdade, mas, e a segurança desse processo? E a validade dos métodos de armazenamento? Uma boa prática de compliance pode ajudar. 

Qual é a finalidade do Big Data no sistema jurídico?

Você já parou pra pensar no tanto de arquivos, dados, informações e documentos que um escritório de advocacia pode armazenar? Só de imaginar, já deve dar calafrios, não é mesmo? Agora pense como deve ser organizar isso, tabelar, controlar e, quando necessário, procurar. Ter tudo isso em mãos pode parecer muito bom, mas, sem um bom sistema de Big Data, tudo pode ruir em um piscar de olhos. Mas, e se unirmos o Big Data com boas práticas de compliance?

Tanto em escritórios de advocacia quanto em departamentos jurídicos de empresas, por exemplo, o Big Data já se faz presente para a organização de toda e qualquer informação pertinente a essa área. Mas, mesmo com tudo organizado e teoricamente protegido, riscos de perda ou adulteração desses dados podem fazer parte da realidade de muitos desses locais. Para garantir que todas as normas sejam seguidas e esses documentos sejam bem “tratados”, muitas empresas e escritórios já adotam o compliance no escopo de trabalho.

O sistema judiciário brasileiro já atua com grandes volumes de dados que não estão estruturados. E nossa tradição jurídica apresenta longos textos em cada processo, o que sobrecarrega advogados, promotores, procuradores, juízes e desembargadores. Logo, o Big Data surge como um meio para solucionar este que é o maior desafio que eles enfrentam nos dias de hoje: unificar as soluções, uma vez que cada tribunal possui um sistema próprio, o que dificulta a ação dos advogados para acessar dados de processos parecidos com a finalidade de encontrar leis e jurisprudências que possam auxiliar nas resoluções.

Resumindo: o universo jurídico ainda pode se apropriar das práticas do Big Data para se tornar um grande gestor de conteúdo, com o auxílio de softwares e do compliance para garantir que tudo transcorra da melhor maneira.

 

Por dentro do Big Data

O Big Data surgiu não apenas para organizar informações, mas para transformá-las em novas oportunidades, facilitar a vida de quem as possui e, quem sabe, gerar mais negócios. No campo jurídico, porém, isso funciona diferente, afinal, são informações em caráter, muitas vezes, sigiloso. O conceito de Big Data sugere que tecnologias sejam aplicadas para segmentar informações e sistematizá-las, estabelecendo padrões. Tão logo isso seja feito, será muito melhor de utilizar o poderio dos arquivos de um escritório ou empresa.

O termo “big data” tem um “anexo” apelidado de 5Vs: Veracidade, valor, variedade, velocidade e volume. Por isso, o investimento em ferramentas de business intelligence (sendo o compliance uma delas) pode garantir o bom funcionamento do setor. Com essas ferramentas, fica muito mais fácil, por exemplo, acessar informações financeiras e o desempeno de funcionários em tempo real, bem como o seu comportamento “legal”. É possível, também, controlar melhor eventuais processos, fichas e, até mesmo, os gastos do local, tornando tudo muito mais produtivo.

Arquivar documentos, organizá-los e aprimorá-los também é tarefa competente aos escritórios e autônomos. Levando isso para o lado prático, alguns processos podem conter coincidências e o sistemas podem te ajudar a trabalhar em eventos vindouros. 

O sistema de Big Data aliado ao compliance, pode, por exemplo, segmentar o faturamento da empresa por cliente, por origem e por caso. É possível também, indicar honorários, provisionamentos e contratos que possam estar por vencer, para que erros dessa natureza não ocorram e onerem todo um trabalho. O sistema também apresenta a flexibilidade o suficiente para empresas e escritórios analisarem seus resultados de maneira personalizada e a partir daí direcionarem novas abordagens de negócio ou identificar alguma aptidão. Ou seja, como dissemos, a informação não é apenas registrada, mas ganha utilidade e pode ser envolvida em estratégias.

 

  • Probabilidade de ganho

 

Com esse volume de dados disponível, os processos ficam muito mais robustos e organizados com o Big Data. E com essa ordem, por assim dizer, estratégias de defesa ou acusação, por exemplo, podem ser muito mais bem elaboradas. 

Com uma análise prévia e a ajuda do Big Data, o advogado pode verificar se as chances de vitória são maiores, se ele deve buscar um acordo e assim por diante. O compliance, nesse caso, garante que tudo transcorra dentro dos limites da lei e sem adulterações.

Com esse sistema bem azeitado, o advogado consegue obter informações sobre processos semelhantes ao do seu cliente e agir conforme os resultados. Os processos contêm inúmeras informações valiosas para os advogados e gestores de departamentos jurídicos. O Big Data consegue localizar todos os pormenores e, por meio de associações, reconhecimento de padrões e identificação de tendências, mostrar o melhor caminho.

  • Projeção de cenários e advocacia 4.0

Seria bem interessante ter um sistema te ajudando a tomar as melhores decisões não é? Ou, pelo menos, te mostrando os melhores cenários para seguir, como se fosse o Waze. A ‘projeção de cenários’ é conhecida como um meio de verificar possíveis resultados de uma decisão jurídica de maneira antecipada. A análise, no entanto, que só pode ser feita pelo advogado ou gestor do setor jurídico e, claro, eles o farão com o uso do big data e, caso queiram que tudo saia bem mesmo, com boas normas de compliance. Traduzindo, seria quase como uma advocacia 4.0.

Na área jurídica, a oportunidade de aumentar a velocidade (um dos Vs), melhorar os processos e prever resultados (probabilidade de ganho) com maior precisão significa, também, ampliar e permitir aos profissionais jurídicos, não apenas os advogados, que são a linha de frente, mas também juízes e promotores, maior acesso às informações e, também, uma análise mais clara sobre o contexto dos processos.

A soma do Big Data e Compliance

Para que o escritório ou departamento jurídico possa usufruir de todos os benefícios do Big Data sem medo, o compliance pode ser a principal ferramenta. Os gestores do setor jurídico, antes resistentes à presença dessas tecnologias, já enxergam com bons olhos a possibilidade de unir o poderio humano e essas ferramentas modernas de gestão. É um caminho sem volta, mas que, com certeza, fará com que os processos possam ficar mais ágeis e assertivos. Transformar os dados em informações relevantes com o “plus” de práticas de compliance é a receita do momento.


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